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Meio Ambiente

Fogo em MT: falta alimentos e água potável nas comunidades pantaneiras

Entidade defende investigação das causas, origens e eventuais culpados pela tragédia

08 outubro 2020 - 15h35Por Paulo Toledo

A situação é cada dia mais grave e as comunidades pantaneiras em Mato Grosso (MT) estão experimentando grave crise de falta de alimento e, até, de água potável, como consequência dos incêndios que ocorrem no Estado. Vinícius Silgueiro, Coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do Instituto Centro de Vida (ICV), destaca que as instituições do terceiro setor têm procurado fazer a sua parte, destinando tempo e recursos humanos para auxiliar nessa tarefa, mas a dimensão da tragédia exige maior presença do estado na região.
O total de queimadas em Mato Grosso (MT) já atingiu uma área de 6,88 milhões de hectares (há), o que representa 7,6% de todo o estado. Os dados, até 30 de setembro, são do ICV, que mantém um Monitor de Queimadas. Vinícius Silgueiro destaca que houve falta de articulação tanto do nível federal quanto do estadual, para que os efeitos do combate aos incêndios fossem mais efetivos. 
Os biomas atingidos se dividem em: Amazônia: 2,55 milhões (37%), Cerrado: 2,5 milhões (36%) e Pantanal: 1,83 milhão (27%). Aproximadamente 47% dos incêndios ocorreu em imóveis rurais registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) (47%) e outros 23% em áreas não cadastradas. Em terceiro no ranking estão as terras indígenas, com 17%, seguidas pelas unidades de conservação, com 7% e os assentamentos, com 5%. 
Para Silgueiro, é fundamental investigar as causas, origens e eventuais culpados pela tragédia, ação fundamental para aumentar a sensação de punição por esse tipo de crime ambiental, se ocorreu, o que prevenirá que cenários como o que está vendo nesse ano voltem a ocorrer.
Lembrou que o cenário de redução de chuvas nesse bioma já havia sido alertado desde o final do ano passado. Já se tinha indícios de que a seca seria bem pior em 2020. O próprio Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE) emitiu uma nota técnica, no início desse ano, apontando para essa situação. “Havia possibilidades de os efeitos serem mitigados. As áreas são muito grandes, o vento é muito forte e são condições muito difíceis de se combater o fogo. Mas isso é sabido, e se é sabido, é possível que haja planejamento” provocou.

Falta de articulação
Silgueiro afirma que o discurso permissivo do executivo federal, com relação à proteção ambiental, agravou tudo. De acordo com ele, desde o ano passado, o governo federal vem negando o problema e colocando a culpa em terceiros. “Além do discurso permissivo, tem o desmonte dos órgãos ambientais de fiscalização, como o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), por exemplo, com vários servidores da linha de frente exonerados, além de corte de recursos”, disse.
É importante lembrar que as ferramentas que foram criadas ao longo do tempo na política ambiental ajudam o governo na fiscalização e responsabilização, lembrou o coordenador do Núcleo de Inteligência do ICV, citando o CAR. Estudos da entidade mostram que nos últimos anos, mais da metade do desmatamento e dos incêndios em Mato Grosso acontecem em propriedades cadastradas no CAR. “Isso significa que os governos federal e estadual têm todos os dados dos proprietários dessas áreas e a responsabilização é possível”, provocou.
O coordenador afirma que, agora, além de agir, com recursos e pessoal, para debelar as frentes de fogo que ainda seguem ativas no Pantanal, é preciso auxiliar também nas ações de resgate de animais feridos e de socorro às comunidades pantaneiras. 
 
Prevenção
O ICV defende a prevenção como caminho para evitar ou diminuir a questão dos incêndios, que pode ser realizada em três grandes frentes: práticas de uso do solo, sensibilização e campanhas educativas e, principalmente, fiscalização e responsabilização pelos incêndios detectados nos anos anteriores.
A Secretaria de Meio Ambiente do Governo do Mato Grosso foi procurada para comentar o assunto, mas até o encerramento deste texto não houve manifestação. O espaço continua aberto.