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Cultura

Fora dos holofotes, técnicos de eventos passam dificuldades e seguem sem perspectiva

Pandemia fez profissionais perderem trabalhos e acumularem dívidas

03 outubro 2020 - 11h00Por Jennifer Vargas

Acostumados com um trabalho silencioso e quase imperceptível nos bastidores dos grandes eventos, técnicos de diversas especialidades têm sofrido para se recuperar do baque com a pausa no setor por causa da Covid-19. De lá para cá, já se somam quase sete meses sem trabalhos, dívidas e muitas dificuldades para manter as contas em dia.

“Foi muito complicado, no terceiro mês eu fiquei realmente desesperada, porque eu cheguei em um nível em que eu não tinha comida, uma coisa que nunca tinha me acontecido em todos estes anos trabalhando”, confidenciou Mariana Nunes, técnica de som de 37 anos, sendo mais da metade deles na área.

A profissional se emociona ao dividir algumas histórias de amigos e conta que já estava inclusive com a agenda quase inteira fechada para 2020, quando viu todos os trabalhos serem cancelados. “Comemorei no final de 2019, inocentemente, porque achava que seria o ano para a minha profissão”, lamentou.

Se por um lado os artistas conseguiram se reinventar em meio a lives e outras formas de renda, a realidade do backstage, ou “da graxa”, como eles costumam dizer, é bem diferente. Vice-presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos e Diversões do Estado de São Paulo, o SATED, Régis Ribeiro acredita que o número de profissionais desamparados esteja próximo aos 15 mil, entre formais e informais, nas mais de 25 funções da área técnica.

“Tive relato de pessoas que acabaram entrando em vícios, que estão em crises de pânico, de ansiedade, até suicidas. Alguns colegas não estavam acostumados com este tipo de coisa, sempre trabalhavam, eram bem solicitados e de repente passaram a uma situação que não tem o que ser feito, isso prejudicou muito no quesito psicológico.”

Rede de apoio

Profissionais se reuniram em protestos e ajuda mútua | Foto: Rep/Instagram Invisível Essencial

Profissionais, em sua maioria autônomos, eles foram unidos pela dificuldade e acabaram se organizando por conta própria em grupos de apoio para auxiliar quem estivesse em situação mais vulnerável na categoria.

Com apoio de artistas, do Sindicato e outras iniciativas independentes, como “Backstage Invisível” e “SOS Mundo dos Eventos”, eles têm arrecadado alimentos e outros itens, para tentar amenizar a grave crise financeira das famílias, muitas em situações extremas e sem condições básicas de sobrevência.

Ainda sem uma data exata para o retorno, eles vivem agora à expectativa da liberação das atividades, o que para São Paulo deve acontecer em algumas semanas já que, tanto a cidade, quanto o Estado caminham para a fase 4 (verde) do Plano de Flexibilização Econômica. Essa próxima reclassificação está prevista para o dia 9 de outubro e que, se acontecer conforme o esperado, deve autorizar a volta à ativa dos eventos eventos, entre eles estão teatros, museus, cinemas, exposições, circos e bibliotecas.

Já acostumados com o ostracismo e um trabalho quase que imperceptível por trás dos grandes eventos e das camisetas pretas, o fato é que sem os técnicos por trás dos palcos, até o mais simples dos eventos simplesmente não acontece.

Alessandro Avian, técnico de som que perdeu o trabalho no final de maio, completa: “Nosso trabalho consiste em tudo. O que a pessoa vê, o que ela ouve, como ela ouve, as sensações, proporcionando o melhor prazer possível para a pessoa que está assistindo”.